Conhecimento profissional

 

As bases teóricas do nosso projeto

 

Para sustentar o projeto Aproximações escolhemos um conjunto de orientações teóricas:

— Relativamente ao desenvolvimento do conhecimento profissional dos professores destacamos o conceito de capital profissional, tanto individual como coletivo, perspectivado como estratégico para alimentar uma forma de cultura profissional.

(Stein et al., 1999; Hargreaves & Fullan, 2012; Fullan et al., 2015).

— O foco no conhecimento matemático para ensinar constitui uma componente destacável como passível de desenvolvimento importante a partir do próprio ensino do professor segundo o conceito de Learning Through Teaching Mathematics (LTT). Esta perspetiva defende que os professores podem aprender e reaprender matemática refletindo sobre o trabalho dos alunos em resposta às atividades que para eles planeiam.

(Leikin & Zazkis, 2007; Tzur, 2010),

— O potencial matemático das tarefas realizadas com recurso a um ambiente de geometria dinâmica. As novas ferramentas de construção geométrica possibilitam um papel significativo e ímpar para a utilização de raciocínios visuais, acessíveis a crianças pequenas, e que extravasam o âmbito da geometria sendo amplamente reconhecido que o desenho de tarefas e de situações problemáticas de aprendizagem constitui um dos desafios que estas novas possibilidades colocam aos professores.

(King & Schattschneider, 2000; Laborde, 1998),

— A centralidade das tarefas propostas pelo professor para envolver ativamente os seus alunos na aprendizagem da matemática, com o reconhecimento de que estas podem constituir uma fonte natural para o seu desenvolvimento profissional, ganhando importância a antecipação de resoluções, a valorização de situações inesperadas e a reflexão sobre a realização dessas experiências com os seus pares e com educadores matemáticos). Neste quadro, os novos esquemas matemáticos de que os professores se apropriam permitem potenciar o seu conhecimento matemático para ensinar e perspetivar a sua melhoria e a melhoria do seu conhecimento didático, o que confere um valor especial à realização de novas tarefas, com recurso à tecnologia, em que a dimensão do desconhecido é grande e, por isso, em que as situações inesperadas são muito frequentes.

(Tzur, 2010)

Estas bases teóricas têm-nos permitido desenvolver um trabalho de reflexão e escrita colaborativa que muito apreciamos e valorizamos. Neste sentido temos procurado compreender o desenvolvimento do conhecimento profissional de forma que seja, simultaneamente, útil para os professores do próprio grupo e para outros professores. Destacamos por isso a nossa atividade corrente de apresentação de comunicações em encontros e de realização de publicações.

 

Referências

Fullan, M., Rincon-Gallardo, S., & Hargreaves, A. (2015). Professional capital as accountability. Education Policy Analysis Archives, 23(15). http://dx.doi.org/10.14507/epaa.v23.1998.

Hargreaves, A. & Fullan, G. (2012). Professional Capital – Transforming teaching in every school, Teachers College Press.

King, J. & Schattschneider. D. (2000). Geometria Dinâmica. Associação de Professores de Matemática.

Laborde, C. (1998). Visual phenomena in the teaching/learning of geometry in a computer-based environment. In C. Mammana & V. Villani (Eds.). Perspectives on the Teaching of Geometry for the 21st Century, pp. 113-120. Kluwer Academic Publishers.

Leikin, R., & Zazkis, R. (2007). A view on the teachers’ opportunities to learn mathematics through teaching. In J. H. Woo, H. C. Lew, K. S. Park & D. Y. Seo, (Eds.). Proceedings of the 31st Conference of the International Group for the Psychology of Mathematics Education, Vol.1, (pp. 121-150).

Stein, M. K., Smith, M. S., & Silver, E. A. (1999). The development of professional developers: Learning to assist teachers in new settings in new ways. Harvard Educational Review, 69(3), 237-269.

Tzur, R. (2010). How and what might teachers learn through teaching mathematics: Contributions to closing an unspoken gap. In R. Leikin & R. Zazkis (Eds.), Learning Through Teaching Mathematics (pp. 49-67). Springer, DOI 10.1007/978-90-481-3990-3_3.

Sem comentários:

Enviar um comentário